terça-feira, 13 de setembro de 2011

Marcas



 
Lembro-me do seu doce olhar,
Olhos perdidos, inconsoláveis,
Cheios de dúvidas e marcas
Que reflete da alma.

Suas palavras carregam
A dor que sofreras,
Que sempre vem
Acompanhadas por lágrimas.

O coração já não sabe disfarçar,
Palpita em grande agonia,
Feridas que o tempo até pode amenizar,
Mas nunca apagar.

Tento encobrir, os olhos insistem em demonstrar,
O que preciso esquecer,
A memória quer relembrar,
Mesmo que só exista no pensamento.

Lembro-me do seu doce olhar,
Que preenchia o brilho dos meus,
Mas a sua luz se apagou,
E a dos meus, nunca mais se reacendeu.

domingo, 11 de setembro de 2011

Menina do Sertão





Pequena menina que canta,
Com seus belos olhos que encantam,
Correndo descalço sem rumo,
Sem nada para seu próprio consumo.

Não há mais como sonhar,
Apenas buscar recursos para sobreviver,
Bem que querias acordar,
Para não ver isso acontecer.

A pele já queimada,
Todas as esperanças findadas,
Está apenas a esperar,
A sua hora chegar.

Apenas uma na multidão,
Que sofre o mesmo destino,
Ficam a espera do socorro divino,
Enquanto ainda bate o coração.

Não há aonde recorrer,
Todo mundo está a perecer,
Seus olhos ainda estão abertos,
Sua alma se compara a um deserto.
 
Os lábios sempre secos,
Escutasse apenas os ecos,
Pedidos desesperados,
De seres desamparados.

Foi encantar em um belo lugar,
Lá não habita a tristeza,
Os anjos estão a contemplar,
O inevitável final de todo aquela pobreza.

sábado, 10 de setembro de 2011

Primeiro Beijo


Falas como se eu já soubesse,
Mas eu não sei, ainda não compreendo,
Nem quero, o entender é limitado,
Deixa que eu permaneça assim,
Fingindo que não entendo.

Suas palavras chegam até mim,
Eu sei a intenção de cada uma,
Mas eu quero ir além,
Quero entender o que trazem por trás,
Há algo a mais que não consegue me dizer.

Eu irei desvendá-las, sei que irei,
Estou atenta aos detalhes,
A todas as palavras pronunciadas,
Seus olhos trazem um brilho,
Que nunca vi igual.

Estes paralisam os meus, ficam imóveis,
Tudo está acontecendo, nem percebes,
Apenas se preocupa em me olhar,
Entendo perfeitamente o que expressam,
Deixe que se comuniquem em paz.

Olhaste-me, acariciando lentamente minha face,
Esta fixada a minha, tentando ler meus pensamentos,
Curvaste-se até mim, seus lábios não saíram nenhuma palavra,
Apenas se renderam aos meus, na mais perfeita sintonia.

Não posso explicar,
Pois é como o entender,
Muito limitado.


 

Idealização


Hoje, pensei em ti,
Não há motivos para espanto,
Já me acostumei a te ter           
Sem ao menos está presente.

A voz sempre soou
Em meu ouvido
De maneira angelical,
Palavras que penetram no coração.

O seu olhar segue-me,
O sorriso resplandece na face,
Toco-te sem que você possa sentir,
Perco-me nas lembranças.

Minha alma se completa,
Tenho tudo que necessito,
O rosto já me entrega,
A solidão não mais me assola.

Mas... Hoje sim... Há motivos
Para espanto,
Abri os olhos,
E tu não estavas.

Danny Bernardes